Soneto do Morto Só
Anda e pega a bendita estrada agora
Enquanto envergonha-te de sorrir
Vendo que a morte vem a te cuspir
E nada responde e ninguém mais chora
Mais nenhuma lágrima para ti
Enquanto jazias no quarto há horas
Apagaram,velas de tua aurora
Morres já, uma festa: agora, aqui
Os amigos já não te lembram mais
E os amores, bem já não mais te ligam
Deixaram-te co’as luzes matinais
Vão por outra estrada, deixai que a sigam
Renega como a ti os animais
Para que o sozin’homem morra em paz
L.H.
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